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October 25, 2009
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Já que estamos na onda de exposições, atrasei-me com a referência à minha participação na exposição colectiva comissariada pelo Pedro Moura, denominada "A Contemporaneidade na Banda Desenhada Portuguesa; Uma Opção de Perspectiva. Dos Formalistas aos Discursivos", presente no Festival de Banda Desenhada da Amadora (no piso 0 do Fórum Luís de Camões) que abriu uma vez mais na passada sexta-feira.
Fico muito contente por participar nesta exposição, porque além de ser do meu agrado o extraordinário trabalho e esforço que o Pedro Moura tem desenvolvido em prol de um género tão ingrato e maltratado, mas também tão gratificante, é também uma boa ocasião para estar a paredes meias com um grupo de autores que eu admiro: André Lemos, Bruno Borges, Joana Figueiredo a.k.a. Jucifer, Nuno Sousa e Carlos Pinheiro.
Depois da passagem pelo Festival de Beja que foi uma experiência marcante para mim, é curioso participar num canto do Festival da Amadora exactamente no mesmo ano, sabendo que é um certame onde o meu trabalho dificilmente teria lugar não fosse por esta via, e para o qual eu olho com uma certa reserva, derivado do facto de insistir num modelo que eu acho banal e desinteressante. É como se a banda desenhada além fronteiras tivesse congelado há já muitos anos atrás, e a matriz do género se mantivesse presa aos franco-belgas, manga, comix, e Tintin e Astérix. Tenho pouca fé nestes moldes, e nestas ocasiões sinto saudades do já desaparecido Festival de banda desenhada do Porto, que a julgar pelo resultado das autárquicas, vai de certeza absoluta manter-se como inexistente durante mais quatro anos. Se a cidade do Porto é o coração cultural do norte do país, então nada há mais para esperar senão o estado continuado de síncope intelectual a que essa região vai continuar a estar votada. Vivi lá muitos anos, e tenho lá muitos amigos - gente extraordinária e criativa -, que sobrevive em estado de perplexidade por ter que atravessar uma escusada idade média. Citando Heiner Muller: "o coração é um vasto cemitério". O norte merecia mais.
Na Amadora apesar de tudo, há diversos eventos a decorrer com algum interesse, de onde eu destaco sobretudo o autor de fundo desta ocasião que é o Rui Lacas, a quem eu envio daqui o meu abraço.
Quero ver se dou lá um salto no próximo fim-de-semana para brindar com os artistas, e para ver como é que ficou a exposição (não pude ir lá este fim-de-semana), dado que tem muitos inéditos meus (como aquele que acompanha este post), e trás à luz do dia originais da malograda "Rabbits Are Dying"... um lixo, um luxo!
Publicado por João Maio Pinto às October 25, 2009 10:21 PM