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April 22, 2008

A Janela II

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A inauguração da expo "Spiritualized" aconteceu entre chuva, frio e a presença de muitos amigos.
Resta-me agradecer a presença de todos os que apareceram e a todos os que de alguma forma contribuíram para esta exposição de forma directa ou indirecta.

Antes de deixar aqui as imagens do evento (obrigado Carlão, Gabriela e Nuno! - quem tiver mais que envie) queria enviar um agradecimento especial à Isabel Carvalho que convidei a escrever um texto à última da hora, e que conseguiu ser certeira com tudo o que disse. Thankz pelo texto e pelo esforço, fico a dever uma! - o texto está reproduzido a seguir às fotos.

Na revista Arte Y Parte, há também um texto da Cristina Campos que de forma completamente diferente é também absolutamente certeiro em relação ao trabalho que esteve exposto. Este texto para ser lido tem que se comprar mesmo a revista!

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Para o JMP,

Com o desenho passei por uma fase em que andava contrariada, logo depois de ter contrariado toda a gente. Agora estou virada do avesso.

Tudo começou ao ver um grupo de turistas americanos e canadianos na parte velha da cidade. Uns com um caderno numa mão e um leque de canetas-pincel na outra, outros com máquinas fotográficas, outros boquiabertos a olhar para um letreiro de chapa ainda pintado à mão e os restantes a partilhar ideias com o jovem guia. Estes foram os primeiros profissionais criativos que eu vi. A profissão deles era desenhar e eram, aparentemente, felizes por isso. Evidentemente que foi isto o que eu passei a querer ser através do fazer, por as mais diversas razões: pelos desenhos em si, pelo público, pelas exposições e pelos festivais e principalmente pela forma de estar – acordar e desenhar, adormecer a desenhar.

Não foi difícil adaptar-me ao que imaginara, uma vez que eu já tinha todos os materiais dentro de mim: era adolescente tardia, vinte e alguns anos, vivia com os meus pais e não se passava nada de realmente interessante nem comigo, nem com os meus amigos, muitas vezes não saia de casa e ainda por cima desconfiava que talvez estivesse a enamorar-me por alguém que, por aborrecimento (não há outra explicação), vivia uma vida ainda mais pálida que a minha. Devo ter passado assim um Verão e um Inverno.

Poderia justificar de muitas maneiras porque comecei a desenhar, mas se calhar a mais óbvia, e antes mesmo de passar pelo estilo de vida (aquele sucesso era de facto apelativo), é porque tinha coisas para dizer. E a forma de dizer que eu escolhi implicava que eu fosse directa, literal, concreta, pouco equívoca, honesta e absurdamente fiel aos meus devaneios. E assim aconteceu até ter voltado à escola.

A minha convicção de que estava no caminho certo tornava-se mais forte à medida que produzia (ainda que muito pouco) e que respondia às solicitações. Daí os risinhos sempre que ouvia “...a força da mancha, da linha, da cor...”. A minha timidez dava-me para isto, para ridicularizar, entalada entra cacifos, quem não era como eu ou como os outros com quem eu me identificava - o meu contrariar não era totalmente deselegante, vá lá, se fosse, teria agora mesmo muita vergonha.

Fora da escola, quando esta tinha terminado, passei a ser um género de “gruppie” relaxada do meio. Tinha tempo e produzia ainda menos. Surgiram as dúvidas, que recaiam sobre a capinha preta dos desenhos, e deparei-me com algumas contrariedades inesperadas – “nós gostaríamos de publicar se tivesses um estilo mais tipicamente português”; “muito feminino, estamos cansados de vaginas e amores”; “se fizesse mais sentido...”. Por estes dias intrometi-me numa conversa aberta ao público com o Charles Burns (ora, nem mais, rica surpresa) e ele deve (!) ter dito isto: “a adolescência é um paraíso perdido ao qual tentamos voltar e a isto se resume o meu trabalho”.

A bola de neve (pouco branca, como a neve costuma ser) em que me meti, levou-me a entrar e a sair do que imaginei que podia ser um modo de vida (e uma profissão) uma série de vezes, mas vendo do exterior, continua a parecer-me brilhante.
E o que tem de brilhante para mim é que alguns ainda são capazes de voltar à adolescência e torná-la comunicável.

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Publicado por João Maio Pinto às April 22, 2008 06:25 PM

Comentários

uau!!!

Publicado por: jucifer às April 23, 2008 06:35 PM

Eu estive e curti bués!!!!

Publicado por: ligia às April 24, 2008 12:25 AM

eu não estive infelizmente.
mas parece-me que assim faz todo o sentido
(como já te disse).
beijo!

Publicado por: teresa amaral às April 28, 2008 01:10 PM

eu não estive infelizmente.
mas parece-me que assim faz todo o sentido
(como já te disse).
beijo!

Publicado por: teresa amaral às April 28, 2008 01:11 PM

the ADIDAS mark the spot!! AH!! Lions renegade!!

Publicado por: Motörhead Ramone às May 5, 2008 03:17 AM

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