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June 28, 2005

Ano Um

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É-me impossível descrever o impacto que tiveram em mim diversas bds que ao longo da vida me vieram parar às mãos. Mesmo assim recordo-me do cepticismo inicial com que - ainda antes de mergulhar na espiral -, olhei para o "Ronin" de Frank Miller, o "Watchmen" de Alan Moore e Dave Gibbons, ou mesmo o "Akira" de Katsuhiro Otomo; uma desconfiança que não experimentei com outros trabalhos que no primeiro visionamento me pareceram imediatamente açucarados: "Moby Dick" de Bill Sienkiewicz, "A Era Metalozóica" (assim era o título da tradução - estou a escrever isto de memória) de Kevin O`Neill (e o posterior “Marshall Law”), o "Asilo Arkham" de Dave McKean e Grant Morrison, o "Acme Novelty Library" de Chris Ware, entre outros. É claro que antes de entender alguns destes objectos, tive eu próprio que quebrar alguns paradigmas – o momento cronológico em que se deu a aparição de cada um destes livros na minha existência ditou a qualidade da minha recepção, como é óbvio. Alguns acolhi-os na defensiva, outros foram recebidos de braços abertos. Todos eles eram/são extraordinários.

Como sabia que ia ver o novo filme do Batman, estive a revisitar o pequeno espólio pessoal que tenho na minha biblioteca acerca do dito. Regressei ao “The Dark Knight Returns” de Frank Miller, e ao “Batman Year One” do mesmo autor, juntamente com David Mazzuchelli e Richmond Lewis - que assina aqui um impressionante trabalho como colorista. De vez em quando regresso à cena do jantar onde Batman irrompe, só para contemplar os fundos (eu e não o Batman). Também encontrei um pequeno episódio dos Piratas do Tiête de Laerte que já considerava perdido, onde o Batman se dedica à vida de saque e pilhagem – uma pequena pérola.

Vi portanto o tal filme, e saí da sala de cinema com um sentimento de profunda gratidão: além da impecável escolha de actores, tem-se a a consciência de que estamos frente a um trabalho que foi fruto de um perfeito entendimento da coisa em si. Não é genial, tem alguns tiques que já conhecemos de outros produtos semelhantes: reconhece-se aquilo que se tem que salvaguardar a nível de propósitos comerciais e mesmo políticos - mas uma vez mais Batman ressuscita e caminha entre os vivos (e os mortos), e mais uma vez é “bigger than life”. Cultura de entretenimento? – talvez para os outros.

Publicado por João Maio Pinto às June 28, 2005 03:39 PM

Comentários

Obrigado por me lembrares esse episódio dos Piratas do Tiête de Laerte, «onde o Batman se dedica à vida de saque e pilhagem – uma pequena pérola.»

kiss

Publicado por: g às June 28, 2005 05:16 PM

o filme é uma bela merda... nem é carne nem é peixe... além de ter todos os chavões do género... para além de que eu não apareci ao lado do meu homem(-morcego).
o que ainda não percebi foi porque raios fizes-te um desenho de mim! o que se passou em Coimbra?
Robin

Publicado por: Robin às June 29, 2005 11:14 AM