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May 24, 2005
O Homem da Maratona

(para os menos atentos, este post acontece em continuação do de ontem, e complementa-se através da leitura da BD publicada hoje no jornal Público)
Quando era criança, havia lá em casa um livro ilustrado, editado pela Plátano, que tinha um nome do estilo “No tempo das…” lamentávelmente não me lembro do resto do título, mas ele deve ainda estar numa prateleira na casa dos meus pais). Tinha um especial gosto em desfolhar este livro, já que as ilustrações eram de um esmero absolutamente extraordinário, indiciando uma mão extremamente desenvolta e exercitada na obtenção do registo final. A composição geral da ilustração seria só por si fascinante para mim, no entanto deleitava-me também em ampliar os detalhes, deixando-me deslumbrar com a simplicidade da pincelada, diluída na sofisticação do conjunto final.
Retive na memória muitas ilustrações presentes nesta publicação, mas sobretudo uma: aquela que contava a história de um corredor da maratona que tendo sido desclassificado depois de a ter ganho, acabou por ficar coberto de glória devido ao sacrifício que protagonizou para chegar à meta.
Quando me chegou a proposta de fazer uma BD para o público sujeita ao tema “Desporto”, depois de um momento de vazio, recordei-me de imediato deste episódio, e fiz assim o “DORANDO PIETRI em O Homem que correu a maratona e perdeu”.
Depois da curta investigação que fiz para esta (também) short-story, tive que optar deixar de fora alguns factos a meu ver interessantes, que não pude desenvolver e contemplar no trabalho final, tais como a presença de Arthur Conan Doyle como testemunha desta maratona, quando trabalhava como repórter – fica aqui a menção de qualquer forma.
Fica aqui também uma última palavra para o menos glorificado Joseph Hayes. Embora tendo ficado com a medalha de ouro da maratona, a sua carreira foi por instantes assombrada pelo fantasma e memória de Dorando Pietri, de quem teve alguma dificuldade em se emancipar. As corridas de beneficiência que fez posteriormente, onde se defrontou apenas com o maratonista italiano também não ajudaram, já que perdeu sempre.
Seja como fôr, acabou por comprovar o seu mérito desportivo, através de outras importantes vitórias que entretanto alcançou. Hayes foi também pioneiro no merchandising desportivo, pois corria com uma camisola do patrocinador, que era simultânemente o seu empregador na vida para além das pistas.
Publicado por João Maio Pinto às May 24, 2005 03:58 PM
Comentários
Por acaso o autor deste blog é natural da zona centro Leiria/Caldas da Rainha?
É que eu sou, e só quando vim viver para Lisboa é que me alertaram para o facto de que o termo "desfolhar" significa arrancar as folhas de um livro. Além disso, tenho verificado ao longo deste tempo que as pessoas dessa zona geralmente optam por "desfolhar" em vez de "folhear", eu inclusive.
:-)
Publicado por: joao às May 25, 2005 01:27 PM